Raça bovina dada como extinta em Portugal volta a crescer

A raça bovina Algarvia, do sul de Portugal, considerada extinta na literatura científica nos anos 1980, chegou a 47 animais de linha pura em 2025, segundo a Associação de Criadores de Gado do Algarve (ASCAL). Em 2018, eram apenas cinco, e em 2024, 27.

O número ainda é uma fração do que a raça já foi. A Agência Lusa aponta mais de 20 mil cabeças na década de 1950, e um estudo publicado na revista Genetics Selection Evolution registra entre 25 mil e 29 mil animais entre as décadas de 1940 e 1970.

A Algarvia era usada para trabalho e produção de carne. A mecanização reduziu a necessidade de animais de tração, e os criadores passaram a cruzá-la com raças como Limousine e Charolês, em busca de crescimento mais rápido.

Em 2005, um projeto de recuperação localizou 43 fêmeas e quatro machos com características do antigo gado algarvio. Um estudo genético identificou depois 30 vacas e três touros com perfil adequado para reconstruir a raça.

O programa da ASCAL, com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e o Banco Português de Germoplasma Animal, usa inseminação artificial, transferência de embriões, registro genealógico e material genético conservado.

Em julho de 2024, nasceu uma vitela por transferência de embrião, o sexto nascimento obtido por essa técnica no programa, segundo a DGAV.

O desafio é a consanguinidade. Com poucos reprodutores, a população pode crescer em número e perder diversidade, o que torna a escolha dos acasalamentos tão importante quanto o total de animais.

A DGAV descreve a Algarvia como uma raça rústica, criada em sistemas extensivos e adaptada a solos pobres, com pelagem vermelha ou castanha.

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