Com a saca 27,7% mais barata, cafeicultor busca renda na casca do café
Com o preço do café em queda, cafeicultores buscam alternativas para reduzir custos e diversificar a renda, do aproveitamento da casca à torrefação própria e ao turismo rural, segundo reportagem da Globo Rural publicada neste domingo (8).
No dia 30 de outubro, o indicador Cepea/Esalq do café arábica marcou R$ 1.598,37 por saca de 60 quilos, queda de 27,7% em relação aos R$ 2.210,41 da mesma data de 2025. O robusta caiu 28,7% no mesmo intervalo, para R$ 293,12 a saca.
A queda vem com a safra maior: a Conab estima alta de 19,6% na produção brasileira de café neste ano, com clima mais favorável.
"O futuro da cafeicultura não depende apenas da quantidade produzida ou do preço da saca", afirmou Caio Alonso Fontes, sócio da Espresso&CO, realizadora da Semana Internacional do Café (SIC 2026), que ocorre de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte.
A Embrapa desenvolve um projeto que transforma resíduos do café, como cascas, pergaminhos e borra, em recipientes para mudas, biocarvão e biogás.
Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), cada quilo de café beneficiado gera um quilo de casca e 300 gramas de pergaminho. Eles avaliam o uso desse material na produção de pellets, combustível sólido de biomassa compactada, mas a viabilidade comercial ainda depende de escala e investimento.
A Epamig inaugurou em junho, em Lavras (MG), uma agroindústria piloto para extrair óleo de café para cosméticos, fármacos e ingredientes funcionais.
"Essas alternativas precisam ser tecnicamente viáveis e adaptadas à realidade de cada propriedade", disse Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar.
Fontes cita ainda a venda de microlotes torrados direto ao consumidor, o turismo rural e o crédito de carbono como novas fontes de receita.