China quer comprar 26% menos soja, e o Brasil faz as contas

A China quer reduzir as importações de soja de 111,83 milhões de toneladas, recorde comprado em 2025, para cerca de 82,55 milhões de toneladas até 2035, uma queda de aproximadamente 26%. A meta faz parte do último plano quinquenal do governo chinês, segundo reportagem do Estadão publicada neste domingo (8).

O Brasil é o mais exposto: em 2025, os chineses compraram 85,4 milhões de toneladas de soja brasileira.

Para Fabrício Morais Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, o prazo de uma década permite a adaptação. "Como as medidas chinesas não serão implementadas de um dia para o outro, o mercado consegue se acomodar. Até lá, teremos para quem vender", disse. Ele cita outros países asiáticos, o Marrocos e o Japão como alternativas.

O chefe-geral da Embrapa, Adilson de Oliveira Junior, vê tendência concreta de redução da demanda chinesa, com estabilização da população, mudança nas rações e mais produção interna. "Eles estão investindo muito na melhoria da eficiência produtiva, sem aumentar a área", afirmou.

Já o professor Marcos Fava Neves, da USP e da Harven Agribusiness School, lembra que a China busca autossuficiência há duas décadas, enquanto o consumo mundial de soja passou de 317 milhões para 442 milhões de toneladas em dez anos.

Há ainda a disputa com os Estados Unidos. Segundo o g1, a China se comprometeu a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano entre 2026 e 2028.

A soja dos EUA paga tarifa de 13% para entrar na China, ante 3% da brasileira. Em 2026, o Brasil já enviou quase 64 milhões de toneladas ao país, segundo a Aprosoja.

Siga-nos