Centro holandês usa robôs e IA para achar plantas que resistem à seca


O Centro Neerlandês de Ecofenotipagem de Plantas (NPEC), nos Países Baixos, usa robôs, sensores, câmeras 3D e inteligência artificial (IA) para identificar plantas que resistem melhor à seca, ao calor e a doenças. Operado pelas universidades de Wageningen e Utrecht, o centro acompanha milhares de plantas ao mesmo tempo.
A técnica se chama ecofenotipagem: a medição automatizada das características e do desempenho das plantas, acima e abaixo do solo, em ambiente controlado ou no campo.
Em estufas envidraçadas, espécies como alface, batata e tomate são monitoradas continuamente. Esteiras levam as plantas a balanças, câmeras e scanners 3D, que registram crescimento, raízes e consumo de água.
Os cientistas relacionam essas características, chamadas de fenótipos, às informações genéticas para saber quais genótipos rendem melhor em cada condição.
"Não fazemos genômica, edição ou melhoramento genético. Nosso foco é medir o desempenho da planta ao longo do tempo, sob diferentes condições ambientais", explicou Rick van de Zedde, gerente de programas da Universidade de Wageningen.
Os dados alimentam os programas de melhoramento, que podem selecionar mais cedo os materiais mais adaptados e testar menos variedades nas etapas seguintes. A validação em condições reais de campo continua necessária.
No campo, o centro usa plataformas móveis, robôs terrestres e drones com câmeras térmicas e hiperespectrais.
O NPEC já coopera com o Centro de Melhoramento Molecular de Plantas (CeM²P), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em pesquisa sobre a interação entre bactérias e gramíneas.
"Estamos de portas abertas para receber novos professores, doutorandos e projetos de pesquisa em parceria com cientistas brasileiros", afirmou Van de Zedde.
O centro recebeu € 5,4 milhões do Conselho de Pesquisa dos Países Baixos (NWO) para modernizar a estrutura no projeto NPEC 2.0, com duração prevista de cinco anos.






