
O trigo com qualidade para panificação subiu R$ 30 por tonelada em Porto Alegre na primeira semana de novembro, para R$ 1.510 por tonelada CIF, com frete incluído, segundo Thiago Oleto, analista da Safras & Mercado. Com a colheita interrompida pelas chuvas no Sul, os moinhos aceitaram pagar mais pelos lotes de melhor padrão.
No Rio Grande do Sul, a colheita chegou a cerca de 60% da área prevista, com aproximadamente 1,07 milhão de toneladas retiradas do campo. Desse total, só 16% foram classificados como trigo Tipo 1, com peso hectolítrico (PH) de 78.
O volume que atende aos padrões de moagem é ainda menor: cerca de 120 mil toneladas, com número de queda (FN) acima de 250 e deoxinivalenol (DON) de até 2.000 partes por bilhão. Outras 220 mil toneladas têm qualidade intermediária.
As cerca de 730 mil toneladas restantes, 68% do colhido, têm FN abaixo de 220 e DON acima de 3.500 partes por bilhão e ficam fora das exigências da indústria.
"Os moinhos seguem buscando trigo com FN a partir de 230 e DON de até 2.500 ppb", disse Oleto. Para esses lotes, as indicações estão em R$ 1.400 por tonelada no interior gaúcho.
O trigo de qualidade inferior busca outros destinos, como a alimentação animal, com indicação de R$ 1.210 por tonelada CIF porto.
No Paraná, o trigo panificável ficou estável, com os moinhos disputando os melhores lotes. Segundo Oleto, o Tipo 1 está "cada vez mais difícil de colher". Nos Campos Gerais, ele seguiu indicado a R$ 1.600 por tonelada CIF moinho.
O trigo para ração recuou R$ 50, para R$ 1.150 por tonelada CIF Paranaguá. O estado enfrenta temporais com granizo e ventos fortes desde o domingo (1º), e Maringá registrou um tornado F2.
A queda dos preços do trigo argentino para embarques em novembro e dezembro limita o espaço para altas maiores no Brasil.







