'Ainda reflete a redução dos embarques para a China', diz Abiec
As exportações brasileiras de carne bovina somaram 231 mil toneladas em outubro, queda de 35,5% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A receita foi de US$ 1,37 bilhão, recuo de 27,9%.
"O desempenho ainda reflete a redução dos embarques para a China, embora outubro tenha registrado recuperação em relação a setembro", afirmou a entidade em nota neste sábado (7). Em setembro, o país havia exportado 229 mil toneladas.
A China continuou como principal destino, com 45,6 mil toneladas em outubro, queda de 76,1% em um ano. A receita com as vendas aos chineses foi de US$ 303,5 milhões, 71% a menos.
Os Estados Unidos foram na direção oposta. Compraram 35,5 mil toneladas, alta de 174,4% sobre outubro de 2025, com faturamento de US$ 243,5 milhões, avanço de 193,2%.
O freio nas vendas à China vem da cota de importação. Com o limite de 2026 esgotado, a carne brasileira passou a pagar sobretaxa de 55 pontos percentuais, e a cobrança total chega a 67% fora da cota, ante 12% dentro dela, segundo a Abiec e a CNA.
De acordo com a Abiec, os negócios com o mercado chinês já foram retomados, com embarques previstos para chegar ao país em janeiro, dentro da cota de 2027 e com tarifa reduzida. Para 2027, o volume reservado ao Brasil sobe para 1,128 milhão de toneladas, segundo o CompreRural.
No acumulado de janeiro a outubro, o Brasil exportou 2,663 milhões de toneladas, 5% menos que no mesmo período de 2025. A receita, porém, cresceu 8,6%, para US$ 15,55 bilhões.
Para o pecuarista, o efeito passa pelas compras de gado dos frigoríficos habilitados a vender à China. Se os pedidos se firmarem, essas plantas podem precisar alongar as escalas de abate, segundo o CompreRural.