Embrapa cria 'passaporte digital' para soja, café e carne

A Embrapa apresentou a Embrapa Trace, tecnologia digital para rastrear produtos agropecuários da origem ao mercado. A ferramenta conecta informações das cadeias de soja, café e carne bovina para comprovar a conformidade da produção brasileira e atender a exigências como o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês).

"A Embrapa Trace consolida evidências de sustentabilidade e rastreabilidade em um parecer único de conformidade, como um passaporte digital do produto", disse à Forbes o pesquisador Anderson Alves, da Embrapa Agricultura Digital.

A tecnologia é oferecida como API, um tipo de conexão entre sistemas, e está integrada ao TerraClass, que monitora a cobertura e o uso da terra na Amazônia e no Cerrado, e ao ElegiAgro, que automatiza análises de elegibilidade agroambiental.

O sistema permite acompanhar cada etapa, do cadastro das propriedades e do monitoramento das áreas até o transporte, o armazenamento e o processamento.

A ferramenta será disponibilizada na plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura e Pecuária, e na AgroAPI. Os relatórios poderão ser consultados por QR Code e, segundo a Revista Cultivar, darão fundamentação técnica a negociações comerciais e à contestação de barreiras.

A coordenadora da AB+S, Lara Line de Souza, afirma que as soluções são complementares: a plataforma do ministério avalia a qualificação socioambiental dos estabelecimentos rurais, e a Embrapa Trace informa a rastreabilidade da produção.

Pelo cronograma citado nas fontes, grandes e médios exportadores terão de comprovar, a partir de 30 de dezembro de 2026, que os produtos não estão associados a áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020. Para micro e pequenos produtores, o prazo vai até 30 de junho de 2027.

O projeto prevê expansão para cacau, madeira, borracha, frango de corte, suínos e pescados.

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