Tarifa de defensivos racha a indústria, e duas empresas deixam o Sindiveg
A Tecnomyl e a Alta decidiram deixar o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) nesta sexta-feira (6), depois que a entidade pediu ao governo a elevação de até 35% das tarifas de importação de defensivos. No mesmo dia, a Câmara Temática de Insumos do Ministério da Agricultura se posicionou contra outro aumento, proposto pela Abifina.
Os pedidos do Sindiveg atingem fungicidas, herbicidas e inseticidas e estão em consulta pública na Câmara de Comércio Exterior (Camex). A entidade tinha 22 filiadas, segundo o AgFeed.
O sindicato argumenta que o volume importado de um grupo de fungicidas cresceu 109% entre julho de 2022 a junho de 2023 e julho de 2025 a junho de 2026, com queda de 42% no preço médio. A China respondeu por cerca de dois terços das compras em algumas categorias, segundo os dados da entidade.
A Tecnomyl, que não renovará a filiação para 2027, afirma que não foi consultada e que não concorda com medidas "protecionistas" que encarecem o acesso aos defensivos.
"Do jeito que o produtor está hoje, qualquer imposto adicional será repassado e vai estrangular ainda mais suas margens. Imagina 35%", disse Luis Ribeiro, diretor-executivo da Aenda, associação de empresas do setor. Procurado pelo AgFeed, o Sindiveg não respondeu até o fechamento da reportagem.
Na outra frente, a Abifina pediu alta de 0% para 8% ou 10%, por 12 meses, para fipronil, glufosinato de amônio, tebutiurom e triclopir. Na câmara temática, Aprosoja, CNA, Abrapa, Aenda, Andav, SRB e Sindag votaram contra. Abifina, Sindiveg, Unifito e Anpii Bio votaram a favor.
O pedido da Abifina será analisado pelo Comitê de Alterações Tarifárias da Camex em 10 de novembro. Sem unanimidade, segue para o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex). A posição da câmara temática orienta o voto do Ministério da Agricultura e não é decisão definitiva.
Os pedidos do Sindiveg ainda não foram avaliados, e não há previsão de votação no Gecex.