Embrapa testa fungo e drone contra o bicudo no algodão do semiárido
Pesquisadores da Embrapa apresentaram na ExpoCariri 2026, realizada em 30 de outubro no Ceará, estratégias com bioinsumos, controle biológico e drones para reduzir perdas no algodão do semiárido. Em testes de laboratório, fungos da coleção da empresa provocaram mortalidade superior a 80% do bicudo-do-algodoeiro, principal praga citada no evento.
Os isolados são do gênero Metarhizium. O próximo desafio é fazer o fungo entrar em contato com a praga nas condições de cultivo.
O resultado de laboratório não equivale à eficácia de um produto na lavoura. O pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa Algodão, destacou que os bioinsumos ainda exigem avaliações de desempenho e segurança, além do registro.
A expectativa apresentada para novas soluções contra o bicudo, incluindo alternativas biológicas, é de três a seis anos.
Contra a seca, o projeto CaatÁgua, financiado pela Finep, busca bactérias associadas a plantas da Caatinga. Em experimentos com tomateiro sob estresse hídrico moderado, plantas inoculadas se mantiveram firmes, enquanto as não inoculadas murcharam.
Os testes continuam em casa de vegetação e ainda devem passar por outras culturas e pelo campo.
O doutorando Tardelly de Andrade Lima apresentou um sistema de drones que libera insetos benéficos durante o voo. Segundo ele, o equipamento cobre um hectare em aproximadamente oito minutos.
O pesquisador Fábio Aquino de Albuquerque, da Embrapa Algodão, reforçou o papel do vazio sanitário, período sem plantas de algodão no campo. Em experimento que simulou a ausência dessa prática, a infestação inicial chegou a aproximadamente 40% na primeira amostragem.