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Farsul faz as contas do crédito rural e vê risco para a soja

As contratações de crédito rural somaram R$ 327,72 bilhões nos 12 meses até setembro de 2026, queda de 10,81% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo nota técnica divulgada na quinta-feira (5) pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Na mesma nota, a carteira problemática aparece em R$ 207,47 bilhões em julho.

Esse grupo reúne operações renegociadas, prorrogadas, em atraso e inadimplentes. O valor equivale a 23,46% do saldo de crédito rural do país, contra 5,46% em dezembro de 2023.

O trimestre de julho a setembro, que concentra o custeio de soja e milho, teve R$ 87,79 bilhões contratados. São 22,65% menos que em 2025, na terceira queda seguida.

Nesse trimestre, o custeio de soja caiu de R$ 36,72 bilhões em 2023 para R$ 14,05 bilhões em 2026. A área de soja financiada passou de 8,03 milhões para 2,95 milhões de hectares.

A retração não é igual para todos. O Pronaf, voltado à agricultura familiar, cresceu 6,88% em 12 meses, e o Pronamp, do médio produtor, ficou estável. Os demais produtores contrataram 18,18% menos.

A Conab projeta 49,3 milhões de hectares de soja em 2026/27, alta de 1,4%. Para a Farsul, o número deve ser lido com cautela, e o risco maior está em produtividade menor e mais inadimplência.

A inadimplência acima de 90 dias foi de R$ 15,65 bilhões para R$ 45,71 bilhões em um ano. O Rio Grande do Sul tem o maior estoque de dívida problemática, com R$ 44,89 bilhões.

A MP 1.376/2026 originou R$ 18,60 bilhões em novas operações até 30 de outubro, o equivalente a 8,99% da carteira problemática. A Farsul avalia que a medida chegou tarde e cobre pouco, e propõe prorrogar a janela de renegociação além de 12 de novembro.

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