Selic parada mantém pressão sobre o crédito livre do agronegócio


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve, por unanimidade, a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4). A decisão interrompe o ciclo de cortes iniciado em março.
Foi a primeira reunião do comitê depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o comunicado, o cenário exige "serenidade e cautela" na condução da política monetária.
O Copom citou a piora das expectativas de inflação. Pelo Boletim Focus de terça-feira (3), o mercado projeta alta de preços de 5,22% em 2026 e de 4,76% em 2027, acima do teto da meta, de 4,5%.
A projeção do próprio Banco Central para o segundo trimestre de 2028 subiu de 3,4% para 3,5%. Entre os riscos de alta, o comitê lista choques do petróleo e efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia.
Para o agronegócio, a Selic é a referência do crédito a taxas de mercado. Segundo o Portal do Agronegócio, a manutenção pesa sobre o financiamento de estoques, a compra de máquinas, a ampliação de estruturas e o capital de giro de produtores, cooperativas e agroindústrias.
As linhas de crédito rural com juros controlados seguem condições próprias. Já as operações com recursos livres ficam mais expostas ao mercado financeiro.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão como equivocada e excessivamente conservadora. O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a retomada dos cortes na próxima reunião, prevista para dezembro.
O comunicado do Copom não traz compromisso com a volta das reduções. As próximas decisões dependem da inflação, das expectativas, da atividade econômica e do cenário externo.






