Rabobank prevê fim de 20 anos de expansão da área de soja e safra de 178 milhões de t

O Brasil não deve ampliar a área de soja na safra 2026/27, o que seria a primeira vez em cerca de 20 anos, segundo o Rabobank. O banco projeta 49 milhões de hectares plantados e colheita de 178 milhões de toneladas, 2,2% abaixo dos 182 milhões da temporada 2025/26.

Mesmo menor, o volume seria a segunda maior safra da história. As projeções estão no relatório Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2027, apresentado nesta quarta-feira (4).

"É o primeiro ano em que a gente não espera aumento da área plantada de soja", afirmou a analista de grãos e oleaginosas do banco Marcela Marini. Segundo o Rabobank, o cenário de endividamento, juros elevados e margens apertadas deve limitar novos investimentos.

A queda na produção reflete a volta da produtividade à média histórica, depois do ciclo recorde. O banco ainda não considera perdas pelo El Niño. "Vamos considerar isso a partir de dezembro", disse Marcela. Segundo ela, os números podem ser revisados a partir da segunda quinzena daquele mês.

Por enquanto, segundo a analista, o plantio está adiantado e "traz conforto para a segunda safra" de milho ou algodão.

Na exportação, a previsão é de 113 milhões de toneladas, contra 114 milhões em 2025/26. O principal fator é a China, que deve comprar mais soja dos Estados Unidos após o acordo comercial entre os dois países.

"Os EUA exportaram 12 milhões de toneladas para a China. E devem embarcar o dobro", disse Marcela.

O esmagamento no Brasil deve ficar em torno de 64 milhões de toneladas, sustentado pela demanda por óleo vegetal e biocombustíveis, com a mistura de biodiesel no diesel em 16%.

Para o produtor, o câmbio segue decisivo. Segundo a analista, a soja passou de US$ 13 por bushel (cerca de 27 kg) na Bolsa de Chicago neste ano, mas o real mais forte impediu que os preços em reais subissem na mesma proporção.

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