Brasileiro troca o boi pelo frango, e Rabobank revela quanto o consumo deve cair
Os embarques de carne bovina brasileira para a União Europeia não devem ser retomados por pelo menos dois anos, segundo o Rabobank. A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira (4) pelo analista de proteína animal do banco, Wagner Yanaguizawa, em coletiva sobre as perspectivas do agro para 2027.
"A gente entende, e isso é visão da Comissão da União Europeia, que os embarques para esse mercado não devem retomar pelo menos nos próximos dois anos", afirmou. Segundo ele, a lógica é esperar o nascimento dos bezerros e o tempo até o abate para pensar na retomada.
Mesmo com a restrição, o banco projeta exportações de 4,5 milhões de toneladas em 2027, alta de 1,5% sobre a projeção para 2026.
Japão e Coreia do Sul aparecem como apostas. De acordo com o analista, os processos de habilitação nos dois países estão em estágio avançado, com os protocolos já cumpridos.
Para a China, o Rabobank trabalha com a possibilidade de aumento de cerca de 3% na cota brasileira, o equivalente a aproximadamente 33 mil toneladas a mais. A medida ainda não foi confirmada pelas autoridades chinesas.
A maior incógnita, segundo o banco, está dentro do país. O consumo de carne bovina deve cair 6,2%, de 33,4 quilos por habitante em 2026 para 31,4 quilos em 2027.
"Estamos realmente vendo uma migração de parte da população para as proteínas mais baratas", disse Yanaguizawa. Entre janeiro de 2024 e julho de 2026, a competitividade do frango em relação à carne bovina aumentou cerca de 49%, e a da carne suína, 20%.
O mercado interno absorve aproximadamente 61% da carne bovina produzida no país.
Do lado da oferta, a produção deve recuar 3% em 2027, para cerca de 11 milhões de toneladas equivalente carcaça, por causa da retenção de fêmeas no ciclo pecuário. O banco estima o preço médio do boi gordo um pouco abaixo de R$ 400 por arroba (cerca de 15 kg de carcaça) em 2027, sem descartar picos acima desse patamar.