Juros da dívida rural sobem 191% em quatro anos e chegam a R$ 99 bilhões, diz Cepea
O custo anual dos juros sobre a dívida rural brasileira subiu 191% entre 2021 e 2025, de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões, em valores corrigidos pela inflação. O dado é de um estudo do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
No mesmo período, a taxa média das novas operações de crédito rural para pessoas físicas subiu de 6,3% para 12,2% ao ano.
Em agosto de 2026, as operações com parcelas vencidas há mais de 90 dias chegaram a 9,69%, contra 0,77% em dezembro de 2022. É o maior nível da série do Banco Central, iniciada em 2011.
Os pesquisadores Lucilio Alves e Geraldo Barros apontam que o recorde de inadimplência não vem só de endividamento excessivo. A mudança está no custo da dívida, nas fontes de financiamento e na concentração dos compromissos em atividades que perderam margem.
O crédito a taxas de mercado passou de 5% das contratações rurais em 2013 para 40% em 2025. Nessas operações, a inadimplência era de 17,6% em agosto, contra 3,8% nas linhas com taxas controladas.
As operações a mercado respondiam por cerca de 43% do saldo das pessoas físicas, mas concentravam aproximadamente 77% do saldo em atraso.
Entre 2021 e 2025, os preços reais dos grãos caíram 28%, enquanto os da pecuária subiram 12%. Em 2025, foram necessárias 29,1 sacas de soja para comprar uma tonelada de fosfato diamônico (DAP), contra 16,7 sacas na média de 2010 a 2019.
Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso registraram inadimplência de 8,8%, 7,4% e 6,3%. No Maranhão e no Tocantins, os percentuais passaram de 15%.
A carteira problemática do crédito rural somava R$ 205 bilhões em agosto, 23,8% da carteira ativa de R$ 862,7 bilhões.
A MP 1.376/2026, criada para facilitar a renegociação, havia alcançado R$ 5,98 bilhões até 5 de outubro, apenas 5% dos R$ 120 bilhões estimados pelo governo, segundo os pesquisadores.