Vacas ligam o rosto à voz de quem cuida delas, revela estudo francês de 2026


Vacas conseguem distinguir pessoas conhecidas de desconhecidas pelo rosto e associar a imagem à voz de quem cuida delas, segundo estudo de pesquisadores do INRAE, do CNRS e da Universidade de Tours, na França, publicado em 20 de maio de 2026 na revista científica PLOS One.
No experimento, as vacas viam ao mesmo tempo vídeos de um homem conhecido e de um desconhecido. Os conhecidos eram quatro tratadores que cuidavam dos animais desde o nascimento.
Com os vídeos sem som, as vacas olharam por mais tempo para o desconhecido. Os dados de 22 animais foram usados, e os pesquisadores interpretaram o resultado como sinal de que elas diferenciavam os rostos.
Depois, os vídeos foram exibidos com a voz de uma das pessoas. Com dados válidos de 17 vacas, os animais olharam mais para o rosto correspondente à voz.
A frequência cardíaca, porém, não mudou de forma significativa entre vozes conhecidas e desconhecidas.
O rosto não é a única pista. Em um trabalho de 2001, vacas holandesas só conseguiram diferenciar pessoas quando viam o corpo inteiro, o que indica o uso de várias pistas ao mesmo tempo, como rosto e altura. A cor da roupa também pode pesar.
O gado também lembra como foi tratado. Em estudo de 1999 com 14 vacas leiteiras, a presença de um tratador associado a manejo aversivo durante a ordenha aumentou em 70% o leite residual, a parte que fica no úbere. O estudo não apontou queda de 70% na produção total de leite.
Outro estudo de maio de 2026, na Scientific Reports, mostrou que 39 vacas ficaram em média 14,8 segundos perto de uma mulher que antes demonstrou alegria em vídeo, contra 11,7 segundos perto de outra que demonstrou raiva.
As orientações do Ministério da Agricultura determinam que o manejo evite ferimentos, pânico, medo prolongado e estresse evitável.






