Safra de trigo de SP pode ficar abaixo de 20% das 350 mil toneladas previstas


A safra de trigo de São Paulo pode ficar abaixo de 20% das 350 mil toneladas esperadas inicialmente, segundo o presidente da Câmara Setorial do Trigo do estado, Ruy Zanardi. O cenário foi discutido na quinta-feira (29), na última reunião do ano da câmara, no Entreposto Itaberá (SP) da Cooperativa Castrolanda.
"A expectativa era colher cerca de 350 mil toneladas, mas não chegaremos nem a 20% desse volume", disse Zanardi.
Além da quebra, a qualidade preocupa. As fortes chuvas durante a colheita prejudicaram o cereal, e a estimativa é de que apenas 10% a 15% do volume produzido seja classificado como Tipo 1.
Zanardi atribuiu as perdas às chuvas que se intensificaram a partir do início de setembro. Em alguns municípios, a precipitação chegou a 629 milímetros no mês. A continuidade da chuva mantém o risco de perdas nas áreas ainda não colhidas.
Segundo ele, a indústria moageira continua aberta à compra do trigo paulista. Na reunião, foi mencionada a edição de uma medida provisória para auxiliar produtores afetados pelos prejuízos da safra.
O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo), Max Piermartiri, prevê dificuldades. "O caminho daqui para frente será difícil", afirmou, citando um cenário econômico que pode continuar complicado em 2027 e até 2028.
Na safra anterior, 2025/26, as compras de trigo paulista pelos associados do Sindustrigo cresceram 45,3%, de 403.566 para 586.330 toneladas, segundo pesquisa apresentada no encontro. A nota média de satisfação com o cereal subiu de 7,9 para 8,9.
No mercado internacional, a StoneX estima a produção mundial de trigo em 882 milhões de toneladas, para um consumo de 824 milhões.






