Chuva e frio atrasam a tosquia no RS, e criador alerta para risco de pneumonia nas ovelhas
As chuvas e as baixas temperaturas das últimas semanas atrasaram a tosquia, também chamada de esquila, em algumas áreas do Rio Grande do Sul, informa a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco). Os criadores aguardam tempo mais favorável para retomar a tosa da lã das ovelhas.
O excesso de chuva e o frio durante a tosquia representam risco para os animais, que perdem a proteção natural da lã. "O clima chuvoso e frio pode fazer a ovelha ter pneumonia e morrer", diz o criador Odete Montardo, de Dom Pedrito (RS).
Montardo tem cerca de 200 ovinos da raça Corriedale. Por causa do tempo instável e da dificuldade de encontrar tosquiadores, ele pretende começar a esquila em meados de novembro.
Segundo o coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, Sérgio Muñoz, o atraso também ameaça a qualidade da fibra. A demora aumenta a exposição à flechilha, capim cuja semente tem forma de pequena flecha e gruda na lã. A planta aparece com mais frequência em novembro.
Muñoz avalia que os prejuízos causados pela chuva à lã, como problemas de coloração e fungos, foram menores do que se previa, mesmo onde o acumulado chegou a 600 ou 700 milímetros.
A Arco calcula que a produção de lã no estado chegue a cerca de 8 milhões de quilos nesta safra, volume semelhante ao da temporada passada. Desse total, a entidade projeta de 2 milhões a 3 milhões de quilos com bom valor têxtil.
Há 12 comparsas, as equipes itinerantes de tosquiadores, cadastradas no site da Arco. Segundo Muñoz, o cenário internacional é favorável, com redução dos rebanhos e da oferta mundial da fibra, e a demanda por lã certificada mantém exigências rigorosas de qualidade.