Açúcar sobe 4,6% em outubro em Nova York, e consultoria vê déficit de 6,28 mi t
Os preços do açúcar subiram 4,6% em outubro na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). O contrato de açúcar bruto para março de 2027 fechou a sessão de quinta-feira (29) a 19,47 centavos de dólar por libra-peso, contra 18,61 centavos no fim de setembro.
No dia 12, o contrato chegou à máxima intradiária de 21,29 centavos, o maior nível em 19 meses, segundo levantamento do Portal do Agronegócio.
A alta veio com problemas de clima nos grandes produtores. No Brasil, o excesso de chuvas associado ao El Niño atrasou a colheita e a moagem da cana em setembro e outubro e reduziu o teor de sacarose, que define o rendimento das usinas.
Na Índia, segundo maior produtor mundial, a estiagem prejudicou o início da safra 2026/27. Na Europa, a seca do verão afetou as lavouras de beterraba açucareira.
A consultoria Green Pool Commodities projeta déficit global de açúcar de 6,28 milhões de toneladas na safra 2026/27, cerca de 3 milhões de toneladas acima da estimativa anterior.
No Centro-Sul, a moagem desacelerou. Na primeira quinzena de outubro, as usinas processaram 27,31 milhões de toneladas de cana, 29,3% menos que na segunda quinzena de setembro, segundo compilação da Safras & Mercado com dados do Ministério da Agricultura. Na comparação com a mesma quinzena de 2025, a queda foi de 21%, de acordo com a Globo Rural.
A produção de açúcar na quinzena caiu 34,6%, para 1,87 milhão de toneladas. No acumulado da safra 2026/27 até 15 de outubro, foram 30,803 milhões de toneladas, queda de 14,56% em relação ao ciclo anterior.
O analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado, afirma que a recuperação da moagem vista na segunda metade de setembro não se manteve. O ritmo mais lento limita a reposição dos estoques de açúcar e etanol nesta etapa da safra.
Segundo a consultoria, a moagem das próximas quinzenas vai mostrar quanto ainda resta a produzir na temporada.