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Safra de trigo cai 37%, e Brasil pode importar 9,75 milhões de t, prevê Safras

A produção brasileira de trigo na safra 2026/27 deve ficar em 5,096 milhões de toneladas, segundo a consultoria Safras & Mercado. O volume é cerca de 37% menor que as 8,12 milhões de toneladas colhidas em 2025/26. Com isso, as importações podem chegar a 9,75 milhões de toneladas.

A nova estimativa corta 449 mil toneladas, ou 8,1%, da previsão anterior da consultoria.

No 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, de 21 a 23 de outubro, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) consolidou a expectativa de importar cerca de 9 milhões de toneladas, recorde em três décadas.

Segundo o analista da Safras Thiago Oleto, chuvas frequentes, pouca luz e mais doenças afetaram quase todas as regiões produtoras. Em São Paulo, as perdas podem chegar a cerca de 95% da safra.

No Paraná, a colheita chegou a 88% da área, mas a fatia das lavouras em boas condições caiu de 60% para 41% ao longo de outubro.

A qualidade também caiu. O trigo tipo 1, usado na farinha para panificação, ficou escasso, e os lotes inferiores precisam de descontos maiores para achar comprador.

No Paraná, a tonelada encerrou outubro a R$ 1.520 em Ponta Grossa. No Rio Grande do Sul, com cerca de 19% da área colhida e mais oferta, os preços recuaram até 9% desde o início do mês, e a tonelada foi negociada a R$ 1.420 em Carazinho.

O câmbio pesou na reta final do mês. Segundo Oleto, a alta de mais de 8% do dólar no pregão de 26 de outubro encareceu o trigo importado e deu sustentação ao preço nacional.

O line-up, que acompanha os desembarques programados nos portos, prevê a chegada de 1,208 milhão de toneladas de setembro a dezembro, alta de 37,9% sobre o mesmo período anterior. A Argentina responde por 75,3% desse volume.

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