Frango cai 2,82% em SP, e Cepea diz que a Newcastle ainda não pesa no mercado


A confirmação de mais dois focos da doença de Newcastle em Santa Catarina e os embargos de países importadores ainda não provocaram impactos relevantes no mercado brasileiro de carne de frango, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Na quinta-feira (29), o indicador Cepea/Esalq do frango resfriado no atacado da Grande São Paulo ficou em R$ 8,26 o quilo, baixa de 2,82% em uma semana.
Segundo o Cepea, as quedas recentes estão ligadas principalmente ao enfraquecimento típico da demanda no fim do mês.
Os pesquisadores não identificaram, até agora, aumento anormal da oferta de frango do Sul no mercado paulista. O cenário é diferente do observado na gripe aviária em 2025.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), México e Malásia mantêm a suspensão das compras de produtos avícolas de todo o Brasil. Arábia Saudita, China e Chile restringem apenas os produtos de Santa Catarina.
Agentes do setor ouvidos pelo Cepea avaliam que, se os embargos se prolongarem ou novos países aderirem, os embarques podem ser redirecionados a outros destinos. Se parte desse volume não encontrar comprador, pode ir para o mercado interno e pressionar os preços.
Nos ovos, a pressão vem da baixa liquidez. Em Bastos (SP), uma das principais referências do setor, as médias dos ovos brancos e vermelhos na parcial de outubro, até o dia 28, ficaram abaixo das de setembro e atingiram os menores níveis desde fevereiro de 2026.
Considerando só os meses de outubro, os valores são os mais baixos desde 2019 em termos reais, após correção pelo IGP-DI de setembro de 2026. A diferença entre ovos brancos e vermelhos chegou ao menor patamar real desde fevereiro de 2022.
O setor espera recuperação da demanda após a virada do mês, com o recebimento dos salários, segundo agentes consultados pelo Cepea.






