Café especial pode ganhar categoria oficial a partir de 82 pontos; veja o que muda
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prepara a modernização da Classificação Oficial Brasileira (COB) do café, sistema que define os padrões de identidade e qualidade dos grãos vendidos no país.
No centro da proposta está a troca da contagem de defeitos, regulamentada pela Instrução Normativa nº 8, de 11 de junho de 2003, por uma metodologia baseada no percentual em massa dos grãos defeituosos, segundo o CompreRural.
A nova classificação ainda não está valendo. O Mapa pretende abrir a minuta para contribuições públicas até o fim de 2026, e os critérios podem mudar antes da norma definitiva.
O tema avançou em um workshop em 21 de outubro, em Vitória (ES), com representantes da cadeia produtiva, pesquisadores e técnicos do ministério.
Hoje, grãos pretos, ardidos, verdes, quebrados e outras irregularidades são contados e convertidos por equivalências, e o café é enquadrado do tipo 2 ao tipo 8.
Pela proposta, conta quanto os grãos defeituosos pesam na amostra. Num exemplo, se 3 gramas de uma amostra de 100 gramas forem de grãos defeituosos, o resultado é 3% de defeitos em peso.
O projeto também reduz a amostra de trabalho de 300 para 100 gramas e reorganiza a tipagem em cinco tipos, de 1 a 5, além das condições de fora de tipo e escória.
Outra novidade é o reconhecimento formal dos cafés especiais. Pela estrutura apresentada em junho pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), lotes com 82 pontos ou mais na avaliação sensorial poderão entrar na categoria Especial.
São previstas cinco categorias sensoriais: Especial, Fino, Superior, Comercial e Inferior, numa escala de 0 a 100 pontos que avalia aroma, sabor, acidez, corpo e finalização, para arábica e canéfora, grupo do conilon e do robusta.
Para o produtor, a classificação influencia descontos, bonificações e preços na venda. Uma classificação melhor não garante, sozinha, preço maior.