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Embrapa e Sabesp transformam lodo de estação de água em fertilizante de liberação lenta

A Embrapa e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) desenvolveram uma rota para transformar o lodo das Estações de Tratamento de Água (ETAs) em fertilizante de nitrogênio e potássio de liberação lenta. Os resultados vieram de testes em laboratório e em casa de vegetação.

O processo hidrotérmico, feito em autoclave, neutraliza o alumínio tóxico do resíduo e forma cristais de sodalita, um tipo de zeólita. O material é usado em grânulos com amido plastificado com ureia.

A Sabesp gera cerca de 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano nas 208 ETAs que opera no estado. O custo médio de transporte e destinação é de aproximadamente R$ 300 por tonelada.

"A tecnologia desenvolvida transforma esse resíduo em matéria-prima para insumos agrícolas", diz Caue Ribeiro, coordenador do projeto na Embrapa Instrumentação (SP).

Nos testes da Embrapa Pecuária Sudeste com azevém, os tratamentos com sodalita granulada tiveram eficiência agronômica duas a três vezes superior à do controle. Na braquiária, a tendência foi semelhante, com diferença menor.

"A zeólita retém mais o nitrogênio, evita a emissão de gases e mantém os nutrientes disponíveis", explica a pesquisadora Ana Rita Nogueira, da Embrapa Pecuária Sudeste.

Segundo o pesquisador Alberto Bernardi, a tecnologia pode aumentar a eficiência dos fertilizantes, ponto relevante porque o Brasil importa cerca de 80% da ureia que consome.

O estudo durou quatro anos e envolveu mais de R$ 2,7 milhões, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O próximo passo é buscar empresas para estruturar um projeto-piloto industrial. A Sabesp aponta ainda a validação em campo e os procedimentos para eventual registro do produto no Ministério da Agricultura e Pecuária.

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