Três países barram aves de todo o Brasil, e Mapa libera estoque em contêiner
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) autorizou, em caráter emergencial, que frigoríficos afetados pelos embargos ligados à doença de Newcastle em Santa Catarina estoquem produtos avícolas acabados em contêineres refrigerados, segundo a Globo Rural.
O pedido foi feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Os contêineres ficarão nos pátios internos das unidades industriais, sob controle oficial do ministério.
Ofícios do Mapa citados pela reportagem afirmam que "a ruptura nos fluxos de exportação gerou acúmulo de produtos acabados" nos frigoríficos exportadores. As restrições dos importadores têm sido adotadas de forma individual e gradativa, com atrasos na emissão de certificados.
As empresas que usarem os contêineres terão de manter controles auditáveis das cargas, a cadeia de frio, as condições sanitárias e a rastreabilidade dos produtos.
O ministério também liberou o trânsito desses produtos entre estabelecimentos registrados apenas com a Declaração de Produto de Origem Animal (DCPOA), documento simplificado.
Segundo a ABPA, a alternativa serve para "evitar a paralisação ou a redução significativa das atividades industriais" enquanto durarem os embargos.
De acordo com o Mapa, Uruguai, México e Malásia suspenderam as importações de aves de todo o Brasil. China, Chile, Peru, Turquia, Paraguai, Uzbequistão e a União Econômica Eurasiática restringiram as compras de Santa Catarina.
Outros mercados, como Arábia Saudita, Japão, União Europeia e Argentina, limitaram a medida à área de restrição formada por Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Pelo cálculo do Mapa, a regionalização evitou perdas potenciais de cerca de US$ 954 milhões por ano.
No caso do Uruguai, a Resolução nº 244/026 abre exceção para produtos submetidos a tratamento capaz de inativar o vírus. Medidas semelhantes de inspeção e certificação já haviam sido adotadas em 2024 e 2025 no Rio Grande do Sul, de acordo com a Globo Rural.