Argentina diz estar 'pronta' para ocupar espaço do farelo de soja brasileiro na Europa

O setor de soja do Brasil teme que as novas regras da União Europeia contra o desmatamento, conhecidas pela sigla em inglês EUDR, reduzam as exportações de farelo de soja para o bloco. A Argentina, concorrente direta, afirma estar em melhor posição para cumpri-las, segundo reportagem publicada pela Forbes Agro nesta quarta-feira (28).

A partir de 30 de dezembro, a EUDR vai exigir que os importadores comprovem que seus produtos não estão ligados a terras desmatadas, com penalidades significativas em caso de descumprimento.

O Brasil é o maior fornecedor de farelo de soja para ração animal da UE, com cerca de metade das importações do bloco no ano passado, segundo a Federação Europeia de Fabricantes de Ração (FEFAC). Em 2025, o país exportou o volume recorde de 23,3 milhões de toneladas do produto.

A FEFAC alerta que as exigências de rastreabilidade podem excluir até 4 milhões de toneladas de farelo brasileiro, cerca de 17% das exportações. A entidade deu ao Brasil recomendação de risco "médio" e à Argentina, de risco "baixo".

"Podemos facilmente preencher essa lacuna", disse Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, câmara argentina de exportadores e processadores de grãos. Ele estima as possíveis perdas brasileiras entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas. "A Argentina está pronta", afirmou.

Segundo Dante Romano, gerente de pesquisa da corretora Max Agro, de Rosário, os agricultores do centro do Brasil ficam a mais de 2.000 quilômetros dos portos e alternam caminhões, barcaças e trens, o que dificulta o rastreamento. Na Argentina, as principais áreas de soja ficam a no máximo 350 quilômetros do polo portuário de Rosário.

Para o presidente da Aprosoja, Maurício Buffon, a legislação afeta o Brasil de forma injusta. "Os problemas ambientais do Brasil são muito menores do que a dimensão da nossa agricultura", disse.

Romano avalia que o Brasil pode buscar outros mercados, à medida que os exportadores argentinos desviarem mais volume para a Europa.

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