El Niño já causou R$ 5,7 bilhões em perdas na agricultura desde julho, aponta CNM

A agricultura foi o setor mais atingido economicamente pelo El Niño no Brasil entre 1º de julho e 30 de setembro, com perdas de R$ 5,7 bilhões. O dado é da segunda edição do Boletim El Niño 2026/2027, da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

No total, os eventos extremos do período afetaram 6,9 milhões de pessoas e causaram prejuízos de R$ 12,6 bilhões. Foram 1.035 municípios em situação de emergência ou estado de calamidade pública.

Segundo o levantamento, as perdas no campo vieram da diminuição de safras, da demora no escoamento da produção e de colheitas inteiras perdidas.

No Nordeste, a seca e a estiagem pesaram mais. O agronegócio da região teve R$ 3,4 bilhões em prejuízos, e 319 municípios dos nove estados decretaram situação de emergência, de acordo com a CNN Brasil.

No Sudeste, houve vendavais, granizo, deslizamentos e inundações. O Sul enfrentou chuva intensa e tornados, e o Centro-Oeste, incêndios florestais. No Norte, a redução do nível dos rios prejudicou a navegação.

O setor público respondeu por R$ 3,6 bilhões dos prejuízos. Só o abastecimento de água potável concentrou R$ 1,8 bilhão em perdas, segundo a MetSul.

O boletim registra ainda 25 mortes e 87,7 mil pessoas que precisaram deixar suas casas.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou, no dia 21, que o El Niño atual deve atingir o pico ainda este ano e durar até pelo menos fevereiro.

Segundo a MetSul, o fenômeno pode agravar a estiagem em áreas do Norte e do Nordeste e aumentar o risco de chuva volumosa no Sul, com possibilidade de inundações e enxurradas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná.

A CNM aponta falta de recursos para prevenção. Entre 2010 e setembro de 2026, só R$ 27 bilhões dos R$ 99,8 bilhões autorizados pelo Congresso para gestão de riscos e desastres foram repassados aos municípios.

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