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Embrapa revela a bactéria que domina o controle biológico nas lavouras do Brasil

As bactérias do gênero Bacillus são o principal agente de controle biológico na agricultura brasileira, segundo estudo da Embrapa Meio Ambiente, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Kynetec Brasil. A potencial área tratada com esses produtos chegou a 37,2 milhões de hectares em 2025.

O número representa cerca de 43% dos 86,9 milhões de hectares que receberam algum produto de biocontrole no país. A potencial área tratada é a soma das áreas que recebem aplicações dos produtos.

Em 2020, os produtos com Bacillus ocupavam 7,5 milhões de hectares, o que dá um crescimento de 391% em cinco anos. O faturamento passou de US$ 114,31 milhões para US$ 403,17 milhões, alta de 252%.

"O crescimento ocorreu de forma contínua", disse Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente. Segundo ele, só entre 2024 e 2025 a área tratada com essas bactérias cresceu 35%.

O estudo, publicado no Brazilian Journal of Microbiology, identificou 297 produtos comerciais à base de Bacillus registrados no Brasil até 2025, de 42 empresas, com 126 cepas. As espécies com mais cepas são Bacillus subtilis, com 31, Bacillus amyloliquefaciens, com 27, e Bacillus velezensis, com 25.

Os produtos são usados no tratamento de sementes, na pulverização das folhas e no sulco de plantio. Os principais alvos são nematoides, antracnose, mofo-branco, mofo-cinzento, mancha-alvo, tombamento e oídio.

Os pesquisadores explicam que essas bactérias produzem endósporos, estruturas resistentes que facilitam a fabricação e o armazenamento dos produtos.

"Esses metabólitos podem atuar sobre fungos, bactérias e nematoides por diferentes mecanismos", disse Roberto Lanna-Filho, da UFRGS, sobre as substâncias produzidas pelos Bacillus.

As bactérias também estimulam a defesa das plantas e podem promover o crescimento vegetal. Algumas cepas produzem hormônios vegetais e solubilizam nutrientes no solo.

Os levantamentos de campo da Kynetec ouviram cerca de 16 mil produtores por safra, entre 2020 e 2025.

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