Serasa revela os dois estados que mais perderiam soja com um El Niño forte


Um El Niño forte pode reduzir a produção brasileira de soja em 17,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, cerca de 9,7%, segundo cenário da Serasa Experian apresentado nesta terça-feira (27). Mato Grosso e Goiás responderiam por quase 80% da diferença.
No cenário de El Niño forte, a produção chegaria a 163,6 milhões de toneladas. Com clima neutro, seriam 181,2 milhões de toneladas.
A empresa ressalta que o estudo não é uma previsão de safra nem a confirmação de perdas. O objetivo é dimensionar o risco caso se repitam as condições de episódios anteriores do fenômeno.
O cálculo considera só a soja de primeira safra e uma área de 49,9 milhões de hectares, 1,8% maior que a de 2025/26. Com El Niño forte, a produtividade média seria de 3.282 quilos por hectare, ou 55 sacas de 60 kg. Em clima neutro, de 3.622 quilos, ou 60 sacas.
Mato Grosso teria 9,7 milhões de toneladas a menos que no cenário neutro, e Goiás, 4 milhões. Já o Rio Grande do Sul poderia colher 5,5 milhões de toneladas a mais, o que não compensaria as perdas do Centro-Oeste.
Segundo Daniel de Oliveira, gerente de Geoprocessamento Agro da Serasa Experian, a "anomalia climática redistribui o risco que, normalmente, é concentrado no Rio Grande do Sul".
O impacto potencial no valor bruto da produção (VBP) é de aproximadamente R$ 33 bilhões, calculado com preço médio de cerca de R$ 1,88 mil por tonelada.
O fenômeno segue ganhando força. Segundo o boletim semanal da agência americana NOAA, citado pela MetSul, a anomalia de temperatura do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial, chegou a +3,4 °C, a mais alta deste evento, o que corresponde a um El Niño muito intenso.
Os modelos analisados pela MetSul indicam pico de intensidade em novembro ou dezembro, com redução gradual da força a partir do começo de 2027.






