Trigo gaúcho: colheita chega a 19%, e Emater aponta o problema que preocupa nos grãos
A Emater/RS-Ascar estima que o Rio Grande do Sul vai colher 2,16 milhões de toneladas de trigo em 2026, volume 37,48% menor que o do ano anterior. A colheita chegou a 19% da área até o levantamento divulgado na quinta-feira (22).
A queda vem principalmente da redução da área. A reestimativa aponta 763.121 hectares cultivados, 34,56% a menos que os 1.166.163 hectares de 2025 registrados pelo IBGE.
A produção projetada é de 2.161.922 toneladas, contra 3.458.083 toneladas colhidas no ano passado.
A produtividade estimada subiu de 2.701 para 2.833 quilos por hectare em relação à previsão feita no plantio. Mesmo assim, fica 5,55% abaixo dos 2.968 kg/ha de 2025.
O excesso de umidade, a pouca luz solar e as doenças, principalmente giberela e brusone, prejudicaram parte das lavouras. A Emater relata queda no peso hectolitro (PH, medida usada na classificação do trigo) e grãos avariados e chochos.
Na região de Santa Rosa, 38% das lavouras foram colhidas, com produtividade geralmente entre 1.500 e 1.800 kg/ha e PH entre 72 e 78. Em Tenente Portela, a média ficou abaixo de 1.800 kg/ha, com PH abaixo de 74.
Em Frederico Westphalen, a colheita atingiu 30% da área, com rendimento próximo de 2.500 kg/ha. Na região de Passo Fundo, cerca de 90% das lavouras ainda estavam em enchimento de grãos, com colheita esperada entre o fim de outubro e o início de novembro.
O resultado final depende do desempenho das lavouras que ainda estão no campo e das condições de colheita. A qualidade dos grãos seguirá como fator decisivo para a comercialização do trigo gaúcho.