Confinamentos dos EUA recebem 12,1% menos bovinos; o que isso indica para 2027


A entrada de bovinos nos confinamentos dos Estados Unidos caiu 12,1% em setembro de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior e atingiu o menor volume para setembro desde o início da série histórica, em 1996. Os dados são do relatório mensal Cattle on Feed, divulgado em 23 de outubro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Foi o terceiro mês seguido em que as entradas ficaram no menor nível histórico para o respectivo mês. Segundo o USDA, o número de bovinos em confinamento em 1º de outubro estava 0,4% abaixo do registrado um ano antes, e a comercialização de animais terminados caiu 6,6% em setembro, na comparação anual.
Para Patrick Linnell, diretor de pesquisa de mercado da consultoria CattleFax, a sequência de três meses de entradas historicamente baixas é mais relevante do que o resultado isolado de setembro. Em entrevista ao programa AgriTalk, ele afirmou que a tendência deve reduzir a disponibilidade de bovinos terminados no primeiro trimestre de 2027. Como a queda ocorreu em diferentes categorias de peso, os efeitos podem se estender ao segundo trimestre.
Entre os fatores apontados estão a menor produção de bezerros, com redução estimada pelo USDA em cerca de 500 mil cabeças em 2026, segundo Linnell; a seca em diferentes regiões, que antecipou a saída de animais das pastagens; o início da retenção de fêmeas para reprodução; e o fluxo limitado de bovinos de reposição importados do México, especialmente pela fronteira de Santa Teresa, no Novo México. Segundo o relatório trimestral do USDA, as novilhas representavam 37,8% dos bovinos nos confinamentos em outubro, participação um pouco menor que a do ano anterior.
A redução aumentou as expectativas de valorização do gado terminado no primeiro semestre de 2027. Segundo Linnell, o relatório veio mais favorável aos preços do que o mercado esperava, e a oferta restrita pode contribuir para uma recuperação das cotações durante a primavera americana, entre março e junho. Ele ponderou, porém, que a indústria frigorífica dos Estados Unidos reduziu a capacidade de processamento em relação ao ano anterior, o que pode limitar a valorização e impedir novos recordes.
No curto prazo, o mercado físico americano teve poucas negociações após a divulgação do relatório, enquanto os contratos futuros se recuperavam das mínimas recentes.






