Dólar sobe mais de 12% e passa de R$ 5,60 após a eleição; o que muda para o agro

O dólar comercial subiu mais de 12% nas primeiras horas de negócios desta segunda-feira (26), primeira sessão do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 10h (horário de Brasília), a moeda americana avançava 12,32%, cotada a R$ 5,6048 para venda, segundo o Canal Rural. Às 10h18, a alta era de 12,20%, a R$ 5,604, de acordo com o Portal do Agronegócio. Na sexta-feira (23), o dólar havia fechado em queda de 0,90%, a R$ 4,9930.

A Bolsa também reagiu. O Ibovespa, principal índice de ações da B3, recuou 10% em relação ao fechamento anterior e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações por 30 minutos em quedas bruscas. Na sexta-feira, o índice havia subido 0,47%, aos 205.083 pontos. Antes da abertura, a B3 ampliou excepcionalmente o limite diário de oscilação dos contratos futuros de dólar e minidólar, de 6% para 8,4%.

Os juros futuros acompanharam o movimento. Segundo o Canal Rural, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 passaram de 13,475% para 13,896% ao ano, e os de janeiro de 2029, de 12,595% para 15,030% ao ano.

De acordo com as duas fontes, o movimento reflete uma revisão das posições dos investidores, que consideravam mais provável a vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Na semana passada, segundo o Canal Rural, o mercado atribuía 77% de probabilidade a esse resultado. Em boletim, a gestora Ajax Asset afirmou que os próximos movimentos dependerão das sinalizações de política econômica, da capacidade de articulação política do governo e da evolução das expectativas dos investidores. "As próximas semanas serão determinantes para avaliar a extensão desse processo e seus efeitos sobre a economia real e os mercados", disse a instituição.

Para o agronegócio, o câmbio pesa dos dois lados da conta. Mantidos os demais fatores, o dólar mais alto pode elevar a receita em reais das exportações, mas também encarece insumos importados e compromissos em moeda estrangeira. A alta dos juros de mercado influencia ainda as condições de financiamento. Segundo o Portal do Agronegócio, o efeito para cada produtor ou empresa depende da exposição ao câmbio, dos contratos de venda, das compras já realizadas e das estratégias de proteção adotadas.

A semana ainda tem decisões de juros do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos), do Banco Central Europeu e do Banco do Japão, também acompanhadas pelos investidores.

Siga-nos