Família que ajudou a formar o Tabapuã vende 150 touros por ano; veja como seleciona
No interior de São Paulo, a família do médico Alberto Ortenblad, personagem central na formação da raça Tabapuã, mantém um criatório com cerca de 300 matrizes que produz, em média, 150 touros por ano para o mercado nacional. A propriedade fica em Uchoa (SP) e dá continuidade a um trabalho iniciado na década de 1940, segundo reportagem do g1 de 22 de outubro reproduzida pelo CompreRural.
O Tabapuã é uma raça brasileira de gado de corte cuja marca é ser naturalmente mocha, ou seja, sem chifres. A ligação da família com a raça vem da Fazenda Água Milagrosa, em Tabapuã (SP), onde Alberto Ortenblad conduziu parte decisiva da seleção, com o irmão, o engenheiro Rodolpho Ortenblad. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã (ABCT), um bezerro mocho recebido de Júlio do Valle chamou a atenção pela ausência de chifres e pela conformação. Identificado como T-0, o animal virou referência para os acasalamentos que consolidaram o plantel. A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) registra também a contribuição de criadores da Bahia, de Goiás, do Paraná, de Minas Gerais e de São Paulo. O reconhecimento definitivo da raça ocorreu em 1981.
Hoje, um dos responsáveis pela administração é Arthur Assumpcao Ortenblad Filho, de 36 anos, engenheiro agrônomo formado pela Universidade de São Paulo (USP). Depois de trabalhar em uma fazenda nos Estados Unidos, ele passou a viver na propriedade em 2017 e cuida das áreas financeira, agrícola, pecuária e florestal. Além do gado, a fazenda tem cana-de-açúcar e seringueiras para a produção de látex. Outro núcleo da família mantém a criação na Fazenda Paturi, também em Uchoa.
A seleção dos futuros reprodutores segue etapas. Os machos passam por provas de ganho de peso, com critérios da ABCZ, e depois por ultrassonografia de carcaça, que complementa a classificação dos animais. Os touros são oferecidos ao mercado por volta dos 24 meses. As novilhas também passam por avaliação de carcaça e são desafiadas à reprodução aos 14 meses: as que ficam prenhes vão para a reposição do plantel, e as demais são vendidas.
O calendário reprodutivo organiza boa parte da rotina. Os nascimentos acontecem no período das chuvas, e as matrizes participam de uma estação de monta, período em que as vacas são colocadas para reproduzir, de 120 dias. Depois disso, as fêmeas gestantes recebem suplementação, e as identificadas como inférteis saem do plantel, segundo Arthur. Na fazenda, o trabalho inclui ainda o acompanhamento sanitário, os registros de nascimento, o atendimento aos compradores e a organização de leilões de machos e fêmeas.