Soja tem poucos negócios no Brasil; analistas apontam o câmbio como novo fator


O mercado brasileiro de soja encerrou a sexta-feira (23) com preços mais altos em algumas praças, mas com poucos negócios. Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, houve poucas indicações de compra: a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização. Algumas tradings já estão perto de concluir seus programas de embarque do ano.
Na semana, a saca de 60 quilos passou de R$ 146,00 para R$ 148,00 em Passo Fundo (RS), de R$ 147,00 para R$ 149,00 em Santa Rosa (RS) e de R$ 141,00 para R$ 142,00 em Cascavel (PR), segundo a Safras & Mercado. Ficaram estáveis Rondonópolis (MT), em R$ 141,00, Dourados (MS), em R$ 140,00, e Rio Verde (GO), em R$ 139,00. Nos portos, a saca subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00 em Paranaguá (PR) e de R$ 153,00 para R$ 155,00 em Rio Grande (RS). O dólar comercial fechou a sexta-feira em queda de 0,96%, a R$ 4,9897 na venda.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), referência mundial para o preço do grão, o contrato de novembro de 2026 subiu 0,27% na quinta-feira (22), para US$ 12,56 por bushel (medida de cerca de 27,2 kg), depois de oito sessões seguidas de perdas, mas acumulou queda de 0,37% na semana. O avanço da colheita nos Estados Unidos amplia a oferta e pressiona as cotações, embora a demanda siga firme: as vendas líquidas americanas da safra 2026/27 somaram 2,84 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, das quais 2,18 milhões para a China, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
O preço da soja no Brasil vem recuando em outubro, depois de atingir a máxima do ano em setembro. O indicador Cepea/Esalq em Paranaguá teve média de R$ 161,14 por saca em setembro e chegou a R$ 162; na sexta-feira, estava na faixa de R$ 152, segundo a Globo Rural. Os produtores aproveitaram os picos para acelerar as vendas antecipadas da safra 2026/27, mas as estimativas variam: 32,9% da produção comercializada até 2 de outubro, segundo a Safras & Mercado; 22%, pelos cálculos da Céleres; e 73,7 milhões de toneladas, ou 40%, segundo o consultor Vlamir Brandalizze.
Antes do segundo turno, analistas ouvidos pela Globo Rural apontavam o câmbio como novo fator de volatilidade. "Uma eventual vitória do Lula pode levar o câmbio a patamares de R$ 5,20 a R$ 5,30 e pode ser um gatilho para novas vendas", disse Enilson Nogueira, da Céleres Consultoria.
No médio prazo, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta queda de 0,8% nas exportações de soja em 2027, para 113 milhões de toneladas, com esmagamento recorde de 66 milhões de toneladas, puxado pelo aumento da mistura de biodiesel no diesel para 16% a partir de março de 2027.






