Arroba do boi chega a R$ 400 em negócios pontuais em SP; o que sustenta o preço

O mercado do boi gordo começa a semana desta segunda-feira (26) com preços sustentados pela oferta restrita de animais terminados. Segundo a consultoria Safras & Mercado, houve negócios pontuais a R$ 400 por arroba, unidade de cerca de 15 kg de carcaça usada na venda do gado, na região de Franca, em São Paulo, no fechamento da semana passada. A consultoria ressalta, porém, que esse patamar ainda não é a referência predominante no mercado paulista.

No levantamento da Scot Consultoria referente à sexta-feira (23), o boi gordo sem padrão de exportação estava cotado a R$ 380 por arroba em São Paulo, e o chamado boi-China, que atende às exigências do mercado chinês, tinha referência de R$ 385 por arroba, em valores brutos e a prazo.

A dificuldade dos frigoríficos para ampliar as programações de abate é o principal fator de sustentação. Segundo a Safras & Mercado, as escalas estavam entre cinco e seis dias úteis na maior parte das regiões acompanhadas. O analista Fernando Iglesias avalia que São Paulo teve uma acomodação após as altas recentes, com mais resistência dos compradores a novos reajustes, enquanto na Região Norte a pressão de alta seguia mais intensa. A Scot identificou frigoríficos com escalas mais confortáveis tentando comprar abaixo das referências, mas sem derrubar as cotações paulistas na sexta-feira.

A Agrifatto registrou estabilidade nas 17 praças que monitora, em uma sessão de poucos negócios. Para a consultoria, o consumo doméstico mais fraco conteve as compras de animais, e a retenção de fêmeas para reprodução, estimulada pela atratividade da cria, restringe a oferta de gado para abate.

No atacado, o espaço para repasses diminuiu. Segundo a Safras & Mercado, o traseiro ficou estável na semana, e o dianteiro subiu 1,36%, de R$ 22,00 para R$ 22,30 por quilo. A concorrência de proteínas mais baratas, especialmente o frango, limita os reajustes da carne bovina.

A demanda externa continua no radar. O analista Allan Maia, da Safras & Mercado, aponta expectativa de compras mais consistentes da China no último trimestre, e a Agrifatto avalia que uma retomada mais ampla das exportações pode aumentar a disputa pelas boiadas. As consultorias tratam o movimento como possibilidade, que depende do volume efetivamente contratado.

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