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Embrapa recebe US$ 200 mil da FAO para rede que preserva sementes crioulas

Agricultores familiares, comunidades indígenas e guardiões de sementes de dez estados participam de uma rede de conservação de variedades agrícolas coordenada pela Embrapa, que vai do arroz, do milho e do feijão a espécies nativas. O trabalho integra o projeto ConservaIn, que conta com financiamento de cerca de US$ 200 mil (R$ 1 milhão, segundo a estatal) do Fundo de Repartição de Benefícios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), de acordo com a Forbes Agro.

A iniciativa, apresentada em outubro no portal internacional da FAO, prevê atendimento direto a pelo menos 400 famílias e 20 comunidades. A rede foi criada há seis anos pela Embrapa e atua no Rio Grande do Sul, na Bahia, em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Amapá, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, abrangendo cinco biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa. O projeto envolve 35 pesquisadores e sete unidades da estatal. A página da FAO registra o projeto como ativo desde 25 de junho de 2023; a inclusão no portal dá visibilidade ao trabalho, mas não marca o início de uma nova pesquisa.

O projeto une duas formas de conservação. "De um lado está a conservação in situ (feita diretamente nas propriedades rurais, roças e florestas por agricultores locais), e do outro a conservação ex situ (realizada fora do ambiente natural, por meio do armazenamento refrigerado em bancos de germoplasma mantidos por instituições públicas)", explica Marília Burle, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenadora do ConservaIn. Bancos de germoplasma são coleções que guardam sementes e outros materiais genéticos de plantas.

Uma das atividades é a duplicação de segurança das sementes crioulas, variedades tradicionais mantidas por gerações de agricultores: exemplares das propriedades passam a integrar as coleções da Embrapa, com os direitos dos agricultores preservados. O caminho inverso também está previsto, com a volta às comunidades de origem de variedades que desapareceram das lavouras, mas continuaram guardadas nos bancos públicos.

Entre as espécies estão arroz, milho, feijão-comum, fava, feijão-caupi, mandioca, batata, batata-doce e inhame, além de abóboras, pimentas, amendoim, açaí e frutas nativas mantidas pelos agricultores. Ensaios participativos permitem que agricultores e guardiãs de sementes avaliem variedades conforme o desempenho nas condições locais e as necessidades das famílias.

Além dos recursos da FAO, a Embrapa informa um cofinanciamento estimado em US$ 688 mil, formado principalmente pela dedicação dos pesquisadores e por recursos das instituições participantes. Até dezembro, a programação prevê cerca de dez novas ações com agricultores e comunidades tradicionais, incluindo capacitação para multiplicação e armazenamento de sementes e a distribuição de kits simplificados para testes de germinação em bancos comunitários.

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