Onda de ataques hackers expõe risco para tratores e drones conectados; entenda
Uma onda de ataques cibernéticos registrada na quarta-feira (21) e na quinta-feira (22) colocou governos, empresas e especialistas em segurança digital em alerta e levantou uma discussão no agronegócio: até que ponto tratores inteligentes, drones agrícolas e máquinas conectadas à internet estão protegidos? A análise é do portal CompreRural, que ressalta que não há confirmação de que os ataques tenham assumido o controle de tratores ou drones.
O episódio envolve duas vulnerabilidades na linguagem de programação PHP, muito usada em sites, plataformas corporativas e serviços digitais. As falhas, identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, receberam nota de gravidade 9,2, numa escala de até 10. Em determinadas condições, elas podem permitir que criminosos executem comandos em servidores vulneráveis sem usuário ou senha.
Segundo o presidente-executivo da Cloudflare, Matthew Prince, a empresa registrou milhares de tentativas de exploração nas dez horas anteriores à divulgação das falhas, dezenas de milhares 45 minutos depois do anúncio e milhões até quinta-feira. A Amazon Web Services (AWS) identificou uma tentativa em 17 de outubro, quatro dias antes da divulgação oficial. Milhões de tentativas, porém, não significam milhões de sistemas invadidos, e os dados divulgados não permitem afirmar que houve invasões nessa escala.
No Brasil, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos confirmou na quinta-feira que as unidades de tecnologia do governo federal foram orientadas a proteger servidores, restringir acessos externos e instalar atualizações. O Sistema Eletrônico de Informações (SEI), usado na tramitação de processos em órgãos públicos, foi suspenso de forma preventiva. Segundo o governo, a plataforma GOV.BR seguiu funcionando normalmente. O CTIR.Gov, centro de resposta a incidentes cibernéticos do governo, classificou as falhas como críticas.
Para o agro, o ponto de atenção é a dependência de tecnologias compartilhadas. Plataformas de gestão rural, sistemas de cooperativas e aplicativos agrícolas podem usar diferentes fornecedores de infraestrutura e armazenamento de dados. Isso não significa que todos os softwares do campo tenham a falha: a exposição depende da tecnologia usada nos servidores, das versões instaladas e das medidas de segurança.
O avanço das máquinas conectadas ajuda a explicar a preocupação. Plataformas como o John Deere Operations Center permitem acompanhar operações e enviar planos de trabalho do celular para máquinas compatíveis. Mas há diferença entre enviar um plano, ver o monitor de um equipamento e assumir seu controle físico: uma invasão de conta não significa que o criminoso conseguirá movimentar um trator. Por isso, segundo a análise, é importante controlar quem tem acesso às contas, aos dados e às integrações digitais.