Carne importada pelo plano de Trump fica abaixo do previsto; o que dizem economistas
Na metade do programa de três meses criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para importar mais carne bovina e reduzir o preço da carne moída, pouco volume adicional entrou no país e os preços quase não se mexeram, segundo reportagem do The New York Times publicada no Brasil pela Folha.
Em agosto, Trump assinou um decreto que permitia a entrada de 300 mil toneladas de aparas de carne bovina magra com tarifa reduzida, ao longo de 90 dias, com até 100 mil toneladas por mês em setembro, outubro e novembro. Segundo dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, só 37.486 toneladas entraram em setembro, pouco mais de um terço do volume permitido. Em outubro, até o dia 19, haviam entrado 21.937 toneladas.
Economistas avaliam que nem todo esse volume é efeito do decreto, porque parte das importações teria ocorrido de qualquer forma. James Mitchell, economista da Universidade do Arkansas, usou dois métodos para estimar quanto das 37.486 toneladas teria entrado em condições normais: um apontou 41%, e o outro, 79%.
No varejo, o preço médio de uma porção de cerca de 500 gramas de carne moída caiu 1,9% em setembro, de US$ 6,92 para US$ 6,79, segundo o Escritório de Estatísticas do Trabalho. Um ano antes, custava US$ 6,32. Ted Schroeder, economista da Universidade Estadual do Kansas, afirmou que a pequena queda é comum nessa época, com o fim da temporada de churrascos, e que as aparas importadas são misturadas a outras carnes sem identificação. "A realidade é que isso não será perceptível", disse.
Entidades de pecuaristas criticaram o plano por considerarem que ele reduziria o valor pago pelo gado, e os preços do gado vivo caíram 3,4% no dia da assinatura, mas depois se recuperaram. "Temo que estejam tentando resolver um problema de curto prazo com os preços da carne bovina e, com isso, acabem criando problemas de longo prazo para a oferta de gado", disse Ford Drummond, presidente da Associação de Pecuaristas de Oklahoma.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou em comunicado que Trump está "cumprindo sua promessa aos consumidores ao reduzir os preços da carne bovina e, ao mesmo tempo, permitir que nosso rebanho bovino americano cresça". O Departamento de Agricultura e a Alfândega não responderam aos pedidos de comentário.
Os EUA importaram 1,9 milhão de toneladas de carne bovina de todos os tipos no ano passado, principalmente da Austrália, do Canadá, do Brasil, do México e da Nova Zelândia. A maior parte foi de aparas magras usadas na produção de carne moída.