desktop_noticias_topo

Santa Catarina tira 76% mais leite por vaca que a média do país; veja o que explica

Santa Catarina encerrou 2025 na liderança nacional da produtividade leiteira, com média de 17,21 litros por vaca ao dia, segundo levantamento da Epagri/Cepa com base na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE. O resultado fica aproximadamente 76% acima da média brasileira, de 9,78 litros, e representa crescimento acumulado de 58,2% em dez anos. Os números estão no Boletim Agropecuário de outubro de 2026.

O estado está produzindo mais leite com um rebanho ordenhado menor. Em 2025, a produção chegou a 3,43 bilhões de litros, o maior volume da última década e avanço de 4,1% sobre o ano anterior. No mesmo período, o número de vacas ordenhadas caiu 3,3%, para 780,6 mil cabeças, e a produtividade cresceu 7,9%.

Para a economista da Epagri/Cepa Andréa Castelo Branco, o desempenho indica mudanças na estrutura produtiva. “Os ganhos de produtividade sugerem avanços na eficiência dos sistemas de produção, associados a melhorias no manejo, na alimentação e na genética dos rebanhos”, afirmou. Segundo ela, a produtividade é um fator relevante para a competitividade da pecuária leiteira catarinense.

O boletim também mostra pressão sobre os preços. Em outubro de 2026, o valor pago ao produtor teve queda mensal de 2,2%, para R$ 2,66 por litro. Na comparação com outubro de 2025, a cotação ainda acumulava alta de 7,7%. No atacado catarinense, em 12 meses, o queijo prato subiu 15,1% e a mussarela, 10,5%, enquanto o leite em pó recuou 11,3% e a manteiga, 10,7%. No varejo da Grande Florianópolis, o leite UHT teve a maior queda mensal entre os itens destacados, de 3,2%, e o leite em pó, a maior alta, de 6,8%.

No comércio exterior, as exportações catarinenses de lácteos somaram 92,4 toneladas em setembro, crescimento de 305,3% em relação a agosto. O volume, porém, ficou abaixo das importações, que recuaram 38%, para 515,2 toneladas, e o déficit comercial do setor foi de 422,8 toneladas no mês. Os queijos responderam por 64% das compras externas, seguidos pelas gorduras lácteas, com 18%, e pelo leite em pó, com 12,4%. A Argentina forneceu 80,8% do volume importado, à frente do Uruguai, com 15,1%, e dos Estados Unidos, com 3,7%.

Mostrar comentários