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Chuva no Paraná: o que o excesso de água já custa a quem planta soja e trigo

O excesso de chuva no Paraná nas últimas duas semanas atrasou o plantio da soja, dificultou a colheita do trigo e elevou os custos nas propriedades, segundo produtores e técnicos ouvidos pela Globo Rural. O período teve chuvas frequentes, seguidas de dias nublados e de uma massa de ar frio e seco, até a volta da chuva nesta sexta-feira (23).

Em Engenheiro Beltrão e Roncador, no Noroeste do estado, o produtor Mauro César Volponi dos Santos tem cerca de 750 hectares de soja e 180 hectares de trigo. Ele estima atraso de cerca de 20 dias nos trabalhos e, até agora, semeou aproximadamente 30% da área de soja. Em uma das semanas mais críticas, o acumulado chegou a 250 milímetros nas áreas em que trabalha, com erosão, solo encharcado e pontos de afloramento de água. Santos já vê a necessidade de reaplicar herbicida em algumas áreas, principalmente contra a buva, com despesa adicional de R$ 200 por hectare onde houver nova aplicação. “Não conseguimos plantar e ainda tenho uma parte da área de trigo para colher”, disse.

Em Manoel Ribas e Ivaiporã, no Vale do Ivaí, Marcelo Alberton cultiva 87,1 hectares de soja e 43 hectares de trigo. “Do início de setembro até agora, tivemos apenas seis dias com abertura de sol que permitiram o plantio da soja. No entanto, ainda havia trigo para colher”, afirmou. Sem conseguir semear primeiro as variedades de soja de ciclo longo, como planejava, ele passou a trabalhar com cultivares de ciclo curto. Nas lavouras já implantadas, observa emergência e crescimento irregulares, porque as plantas nascem em solo encharcado.

Para Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, ainda não há estimativa oficial das perdas, mas a umidade deve aumentar os problemas com doenças e a necessidade de aplicações de defensivos. Ao mesmo tempo, o clima pode impedir que essas aplicações sejam feitas no momento certo, o que afeta a produtividade. “As aplicações dependem das condições ideais de clima e solo”, disse.

No trigo, o boletim do Deral do dia 20 indica que, com 82% da área colhida, 42% das lavouras apresentavam condição média e 13%, ruim. Segundo Godinho, em algumas regiões menos de 10% do trigo mostra queda no peso hectolítrico (PH), indicador de qualidade do grão. Os dois produtores relatam queda no PH e no número de queda (“falling number”), usados na classificação comercial do cereal, e parte do trigo de Santos já foi classificada para outros usos.

O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que os prejuízos “vão além da lavoura, uma vez que aumentam os custos de produção, comprometem a renda e dificultam o planejamento”. Segundo ele, a federação atua na defesa do seguro rural e de políticas públicas para que o produtor consiga enfrentar essas perdas.

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