Tomate industrial irrigado entra no zoneamento de risco climático; o que muda no crédito


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) incluiu o tomate destinado ao processamento industrial irrigado no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A Portaria nº 378 foi publicada na sexta-feira (23) no Diário Oficial da União. O estudo indica os períodos mais favoráveis ao plantio em diferentes municípios e estabelece parâmetros para reduzir os riscos climáticos da cultura.
Na prática, o zoneamento orienta produtores, bancos e seguradoras. Segundo o Mapa, as datas de plantio previstas no Zarc devem ser observadas por quem pretende acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) e o crédito rural.
De acordo com os responsáveis pelo estudo, a escolha do tomate industrial irrigado se deve à padronização do sistema produtivo no país, baseado em irrigação, cultivares híbridas de crescimento determinado e colheita mecanizada. No Brasil, 40% da produção de tomate vai para a indústria, que fabrica produtos como molhos, extratos e polpas, e 60% para o consumo fresco. Em 2025, a produção nacional para processamento industrial somou 1,88 milhão de toneladas.
A cadeia está concentrada no Cerrado, com plantios entre fevereiro e meados de abril. Goiás responde por 65% da produção, seguido por Minas Gerais, com 17%, São Paulo, com 16%, e Pernambuco, com 2%. As lavouras são irrigadas, de grande escala, muito mecanizadas e integradas às agroindústrias.
Segundo o pesquisador da Embrapa Hortaliças Marcos Braga, mesmo com irrigação a cultura continua sujeita a oscilações extremas de temperatura, excesso de chuva e inadequação de solo e de cultivares. O estudo definiu janelas de plantio com faixas de risco de 20%, 30% e 40% de probabilidade de perda de produção, detalhadas por município, tipo de solo, ciclo da cultivar e decêndio, o período de dez dias usado no calendário agrícola. Foram avaliados cultivos com ciclo de até 120 dias e de 121 dias ou mais.
O cenário ideal para o tomate reúne temperaturas entre 20°C e 27°C. Máximas acima de 35°C na floração podem reduzir a produtividade e a qualidade, e mínimas abaixo de 3°C ou médias abaixo de 19°C em período crítico também prejudicam a planta. O trabalho considerou ainda o excesso de chuva, com referência a acumulados acima de 240 mm nos primeiros 40 dias e acima de 90 mm na maturação e na colheita. Perdas causadas por manejo inadequado ou falta de controle de pragas e doenças não entram na avaliação.
Os resultados estão disponíveis no Painel de Indicadores do Zarc, nas portarias oficiais por estado e no aplicativo Zarc Plantio Certo, para Android e iOS.






