Por que a norueguesa Yara vai cortar ainda mais a produção de fertilizantes

A norueguesa Yara anunciou na quinta-feira (22) que vai reduzir ainda mais a produção de fertilizantes no quarto trimestre. O motivo é a alta dos preços do gás natural, que continua pressionando os fabricantes europeus. O gás é ao mesmo tempo matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes e uma importante fonte de energia no processo, o que faz as oscilações de preço pesarem nos custos das fábricas e nos preços pagos pelos agricultores.

“Atualmente, as reduções estão em um nível mais alto do que no terceiro trimestre, e isso se deve ao fato de que os aumentos nos preços do gás se intensificaram no quarto trimestre”, disse o presidente-executivo, Svein Tore Holsether, à agência Reuters.

No terceiro trimestre, a empresa reduziu a produção em 150 mil toneladas de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados, principalmente na fábrica de Ferrara, na Itália. No acumulado do ano, a produção de amônia da Yara caiu 11%. Holsether afirmou que, se os preços elevados persistirem na Europa, a companhia poderá comprar amônia de outras partes do mundo.

A Yara estima que os custos com gás natural serão US$ 450 milhões mais altos no quarto trimestre de 2026 e US$ 445 milhões mais altos no primeiro trimestre de 2027, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. No terceiro trimestre, o lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de US$ 675 milhões, cerca de 10% abaixo do esperado pelos analistas consultados pela empresa. Além do gás, a demanda adiada por fertilizantes pesou sobre as margens e as entregas, segundo a companhia. De acordo com o AgFeed, o lucro da Yara caiu 38% no trimestre.

O aumento do gás eleva os custos em todo o setor de fertilizantes e leva os produtores a reduzir a produção e a depender mais da amônia importada, num momento em que os mercados de energia seguem voláteis. Cerca de um terço do fluxo mundial de fertilizantes costuma passar pelo Estreito de Ormuz, rota que tem sofrido grandes interrupções desde o início da guerra, segundo as fontes.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a inflação global dos alimentos deve acelerar ainda mais e persistir por boa parte de 2027, por causa das interrupções no transporte marítimo e dos custos mais altos dos fertilizantes.

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