Importação de tratores chineses cresce 117%; Anfavea aponta onde está a preocupação

As importações brasileiras de tratores agrícolas da China cresceram 117% entre janeiro e setembro de 2026, para cerca de 5,2 mil unidades, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A entidade chama atenção para as compras públicas: 65% dos 3.318 tratores agrícolas licitados em 2025 eram importados, de acordo com dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).

A Índia teve volume semelhante ao chinês, e os dois países responderam juntos por 93% dos tratores importados no período. Nas licitações de máquinas agrícolas e rodoviárias de 2025, que somaram 10,6 mil unidades e R$ 3,7 bilhões, os equipamentos fabricados na China representaram 33,5% das unidades e 26% do valor, cerca de R$ 960 milhões. A classificação considera o local de fabricação: máquinas de marcas estrangeiras produzidas no Brasil contam como nacionais.

O avanço ocorre com o mercado interno em queda. As vendas de tratores recuaram 14,1% até agosto, e as de máquinas agrícolas no varejo somaram 27 mil unidades, baixa de 15,8%. Nas colheitadeiras, a retração foi de 39,4%. Já as importações de máquinas agrícolas cresceram 42% de janeiro a setembro, para 11,2 mil unidades, mais que o dobro das cerca de 5 mil exportadas no mesmo intervalo. Segundo a Anfavea, o mercado encolhe desde 2021.

Os modelos de menor potência dominam as compras externas: 90% dos tratores importados têm até 100 HP (cavalos de potência), e a faixa de 50 a 100 HP somou 6.412 unidades, alta de 56%. A entidade cita como cenário o endividamento, a menor rentabilidade e o crédito caro, que dificultam a renovação das frotas. Dados do Banco Central compilados pela Anfavea mostram inadimplência de 9,7% no crédito rural de pessoas físicas em agosto.

Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o preço de compra deve ser analisado junto com os gastos e as condições de operação ao longo dos anos. Ele defende que as licitações considerem o custo total de propriedade, que inclui peças, manutenção, assistência técnica e capacidade de atendimento. A entidade afirma que a entrada de novas marcas e tecnologias deve ocorrer com requisitos compatíveis de qualidade, segurança e suporte técnico, para equilibrar a concorrência entre fabricantes nacionais e importadores.

As fabricantes instaladas no país relatam ainda aumento dos custos de produção, com a alíquota de 20% sobre resinas e polímeros e medidas antidumping aplicadas a determinados produtos. Segundo estimativas das associadas, o impacto sobre os componentes plásticos das máquinas pode variar de 4% a 7%.

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