Custo do milho pode subir 11% na safra 2026/27; um insumo deve encarecer 35%
Os gastos com defensivos agrícolas nas lavouras de milho podem subir 35% na safra 2026/27, para US$ 131 por hectare, segundo projeção do Rabobank apresentada no boletim da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), da Unijuí. No total, o custo operacional do milho brasileiro pode chegar a US$ 820 por hectare, aumento de aproximadamente 11%.
Os fertilizantes devem representar uma despesa de US$ 248 por hectare, alta de 10%. Mesmo com esse avanço, a margem operacional projetada é de 55%. Segundo o boletim, o indicador não equivale ao lucro líquido, pois não considera despesas financeiras, custo da terra e outros encargos. Para a soja, a mesma projeção aponta custo operacional de US$ 899 por hectare, alta próxima de 4%.
O aumento de custos coincide com a expectativa de uma colheita grande. As estimativas reunidas pela CEEMA indicam produção brasileira entre 146,5 milhões e 148 milhões de toneladas em 2026/27. A Hedgepoint Global Markets projeta 146,5 milhões, 3,1% acima das 142,1 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trabalha com 148 milhões de toneladas, sendo 32,1 milhões na primeira safra e 113,2 milhões na segunda, a safrinha, plantada depois da soja. Até 16 de outubro, o plantio do milho de verão chegava a 36% da área prevista, pouco acima da média de 35,6% das últimas cinco temporadas.
Do lado dos preços, a TF Agroeconômica avalia que a oferta nacional superior à demanda e a comercialização limitada dificultam uma recuperação consistente. No Rio Grande do Sul, a média estadual recebida pelos produtores recuou 0,57%, para R$ 62,59 por saca de 60 kg. Em Mato Grosso do Sul, os preços oscilam entre R$ 52 e R$ 54, no Oeste do Paraná houve registros de R$ 50,58, e a CEEMA apontou negócios a R$ 48 por saca em Campo Novo do Parecis (MT).
Na Bolsa de Chicago, o contrato de dezembro abriu a sexta-feira (23) em queda, a US$ 4,5875 por bushel por volta das 7h26 (horário de Brasília). Na quinta-feira, havia fechado a US$ 4,6050, o menor fechamento do vencimento em nove semanas, segundo a Pro Farmer. A colheita nos Estados Unidos chegava a 44% da área até 18 de outubro, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que estima a safra americana 2026/27 em 407,28 milhões de toneladas.
No campo, o excesso de chuva exige atenção no Sul. No Rio Grande do Sul, a semeadura chegou a 78% dos 896,4 mil hectares previstos, segundo a Emater, mas a umidade, a nebulosidade e as temperaturas amenas retardam o crescimento das plantas, e houve perdas irreversíveis de potencial produtivo nas áreas mais atingidas pelos temporais com granizo do fim de setembro. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) informa que 86% da área de milho de verão já foi semeada.