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Soja interrompe oito quedas em Chicago e volta a subir nos portos brasileiros

Os contratos futuros da soja operam em alta na Bolsa de Chicago (CBOT, principal referência mundial de preço do grão) nesta sexta-feira (23), ampliando os ganhos da sessão anterior, quando o mercado interrompeu uma sequência de oito pregões consecutivos de queda. Segundo a Agência Safras, as compras de fundos especuladores, a valorização do petróleo e os sinais de demanda aquecida da China sustentam as cotações.

Na sessão eletrônica da manhã, o contrato com vencimento em novembro era negociado a US$ 12,54 1/4 por bushel (medida de cerca de 27,2 kg de soja), alta de 0,09%. Na quinta-feira (22), a mesma posição fechou a US$ 12,53, avanço de 7,75 centavos de dólar, ou 0,62%, depois de as cotações terem atingido o menor patamar em dois meses.

A demanda chinesa segue como um dos principais fatores de sustentação. Na quinta-feira, exportadores privados dos Estados Unidos anunciaram uma nova venda de 202 mil toneladas de soja para a China. As vendas líquidas norte-americanas da safra 2026/27 somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, e a China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O volume ficou dentro do intervalo esperado pelos analistas, de 1,1 milhão a 3 milhões de toneladas. Segundo a Granar, citada pela Globo Rural, grande parte do otimismo dos compradores se baseia na retomada das compras chinesas de soja americana.

A alta do petróleo também ajuda, por causa da relação com o óleo de soja usado na produção de biodiesel. Na quinta-feira, o óleo para dezembro subiu 1,16%, a 66,74 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o farelo recuou 0,28%, a US$ 347,30 por tonelada. Por outro lado, o avanço da colheita nos Estados Unidos limita uma valorização mais expressiva.

No Brasil, o preço reagiu após quatro quedas consecutivas no porto de Paranaguá (PR). Levantamento da AgRural indicou a saca de 60 kg a R$ 153 na quinta-feira (22), alta de R$ 1 em relação ao dia anterior. Em Ponta Grossa (PR), a soja subiu R$ 1, para R$ 147; em Primavera do Leste (MT), avançou R$ 0,50, para R$ 137,50; e em Luís Eduardo Magalhães (BA), ficou estável em R$ 139.

Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, a melhora em Chicago e no câmbio elevou as ofertas dos compradores e favoreceu negócios nos portos, mas a comercialização segue lenta, com os produtores concentrados no plantio da nova safra. Para o consultor Vlamir Brandalizze, o momento é de acomodação depois dos picos de preço de setembro. "Os preços não caem mais porque as vendas podem travar", afirmou.

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