Recuperação judicial no agro cai 20,7%; Mato Grosso segue com mais pedidos

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro caíram 20,7% no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. Entre abril e junho foram registradas 448 solicitações, ante 565 no mesmo período de 2025. A recuperação judicial é o processo em que o produtor ou a empresa pede à Justiça um prazo para renegociar dívidas sem ter os bens executados.

A redução ocorreu nos três perfis acompanhados pela Serasa. Os produtores rurais pessoas físicas concentraram o maior número de pedidos, 197, com queda de 10,5%. As empresas rurais somaram 160 solicitações, recuo de 34,2%, a queda mais expressiva. Já as empresas da cadeia do agronegócio registraram 91 pedidos, 10,8% a menos.

Mato Grosso liderou o ranking, com 107 solicitações, o equivalente a 23,9% do total nacional. Em seguida aparecem Goiás, com 84 pedidos (18,8%), e São Paulo, com 72 (16,1%). Segundo o Canal Rural, Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Paraná somaram 80% dos pedidos do período. Por atividade, a soja teve o maior número de solicitações, 70, seguida pela pecuária bovina, com 28.

Especialistas ouvidos pelo Canal Rural afirmam que a redução não indica necessariamente uma melhora nas finanças dos produtores, que continuam enfrentando endividamento. Segundo a emissora, bancos como o Banco do Brasil têm oferecido alternativas para alongar dívidas, como prorrogação com carência de até 2 anos, prazos de pagamento que podem chegar a 10 anos e juros em torno de 12% ao ano.

O custo do crédito, a oscilação dos preços das commodities e as despesas de produção podem comprometer o caixa e dificultar o pagamento das dívidas, segundo o advogado Felipe Denki, especialista em reestruturação empresarial, ouvido pelo Portal do Agronegócio. Para ele, identificar os desequilíbrios logo no início amplia as possibilidades de negociação e de reorganização das operações, antes que a recuperação judicial seja o único caminho.

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