Newcastle: governo vai vistoriar 1.680 propriedades no oeste de Santa Catarina
O Ministério da Agricultura e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) vão vistoriar 1.680 propriedades rurais num raio de 10 quilômetros da granja de perus de Nova Itaberaba, no oeste catarinense, onde foi confirmado um foco da doença de Newcastle na segunda-feira (19). Segundo a Cidasc, em 166 propriedades localizadas a até 3 quilômetros do foco haverá coleta de amostras para análise. Outros 1.514 imóveis, no raio de 10 quilômetros, serão vistoriados e monitorados.
A Portaria Mapa nº 962/2026 declarou estado de emergência zoossanitária, pelo prazo de 60 dias, nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A emergência é declarada quando há risco de uma doença se espalhar rapidamente entre os animais e permite ao governo agilizar ações como a contratação temporária de pessoal, a compra de equipamentos e o deslocamento de servidores.
De acordo com o Ministério da Agricultura, o despovoamento sanitário da granja começou em 19 de outubro e foi concluído no dia 20. Segundo a Cidasc, havia 6.526 perus no estabelecimento. Agora estão em andamento a limpeza e a desinfecção das instalações, etapa necessária para que a criação possa ser retomada no futuro, depois do período de vazio sanitário.
Para coordenar o trabalho, o ministério e a Cidasc montaram um Centro de Operações de Emergência em Saúde Animal (Coezoo). Desde terça-feira (20), 15 equipes técnicas, cada uma com pelo menos um médico-veterinário, fazem a vigilância epidemiológica na região. Até o último balanço, 46 propriedades com aves de subsistência haviam sido vistoriadas, e houve coleta de material em 20 estabelecimentos comerciais de frango de corte, além de criações de perus, um aviário de matrizes e um incubatório.
A doença de Newcastle é causada por um vírus que atinge aves domésticas e silvestres e pode ser letal para elas. Em pessoas, pode causar no máximo uma conjuntivite passageira, e a transmissão ocorre pelo contato com as aves, não pelo consumo da carne.
O ministério notificou a ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e informou os parceiros comerciais. Segundo levantamento do g1, até quinta-feira (22), pelo menos cinco países haviam restringido a importação de carne de frango brasileira: México, China, Chile, Malásia e Arábia Saudita.