Tarifa dos EUA trava exportações e leva setor madeireiro a demissões no Sul do Brasil


A proximidade da nova tarifa de até 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já impacta diretamente a indústria de madeira processada. No Paraná, empresas anunciaram férias coletivas, suspensão de operações e demissões em resposta à desaceleração nas exportações.
Uma das mais afetadas é a Millpar, com sede em Guarapuava, que colocou em férias coletivas 640 dos 1.109 funcionários da unidade — mais da metade da força de trabalho. A medida foi adotada diante da incerteza no mercado externo.
Em Telêmaco Borba e Jaguariaíva, a BrasPine suspendeu atividades para 1.500 empregados, também alegando forte retração na demanda norte-americana. Já a Sudati, que atua em Telêmaco Borba e Ventania, confirmou a demissão de 100 funcionários.
Segundo representantes do setor, o cenário é crítico: boa parte da produção dessas indústrias é direcionada exclusivamente aos Estados Unidos, e a instabilidade comercial levou importadores a suspender embarques e cancelar contratos. A consequência tem sido imediata nas linhas de produção e no emprego.
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada (Abimci) estima que o setor empregue cerca de 180 mil pessoas no país. Desse total, aproximadamente 50% da produção é exportada aos EUA — e, em alguns casos, essa dependência chega a 100%.
Lideranças da indústria pedem que o governo federal negocie a prorrogação da medida tarifária americana, enquanto defendem que o Brasil não adote represálias comerciais que possam agravar ainda mais o cenário.
A preocupação é de que os impactos se espalhem para outras cadeias do agro, como café, suco de laranja e proteínas animais, que também estão no radar das novas tarifas norte-americanas.
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