Cacau em alta histórica obriga Hershey’s a reajustar preços e reduzir embalagens


A Hershey’s, uma das maiores fabricantes de chocolates do mundo, confirmou nesta semana que irá reajustar os preços de seus produtos em função da disparada nos custos do cacau. O aumento será na “faixa baixa de dois dígitos”, segundo comunicado enviado aos varejistas. A empresa ainda anunciou mudanças na apresentação dos produtos, com embalagens menores — estratégia conhecida como reduflação.
O principal fator por trás da medida é a forte valorização do cacau no mercado internacional. A matéria-prima acumula alta de 178% apenas em 2024, após já ter subido 61% no ano anterior, de acordo com dados da FactSet. Os contratos futuros estão atualmente cotados a US$ 8.156 por tonelada métrica, valor ainda 30% abaixo do recorde histórico de US$ 12.646 registrado em dezembro de 2024, mas muito acima do patamar médio dos últimos anos.
A escalada tem origem direta nos problemas climáticos enfrentados por Gana e Costa do Marfim, que juntos são responsáveis por cerca de 60% da produção global de cacau. As lavouras desses países foram severamente afetadas por estiagens, doenças fúngicas e ondas de calor, fenômenos agravados pelas mudanças climáticas. Um estudo recente do Centro de Supercomputação de Barcelona apontou que uma onda de calor no início de 2024, por exemplo, foi 4 °C mais intensa do que seria sem os efeitos das mudanças climáticas — fator determinante para a quebra de safra naquele período.
A Hershey’s ressaltou que o reajuste de preços não tem relação com tarifas ou medidas comerciais, e sim com “custos crescentes dos ingredientes, em especial o cacau”. Em conferência com investidores realizada em maio, a CEO Michele Buck afirmou que a empresa trabalha para absorver parte dos custos, mantendo 75% do portfólio com preços abaixo de US$ 4. Ainda assim, diante da pressão contínua, a companhia precisou rever sua estrutura de preços e embalagens.
Segundo Buck, a combinação de embalagem menor e preço ajustado permite preservar a percepção de valor do consumidor, sem provocar um impacto tão direto nas gôndolas. No segundo trimestre, a empresa projeta custos adicionais de US$ 15 a 20 milhões, reflexo da conjuntura desfavorável no mercado internacional de commodities agrícolas.
O caso da Hershey’s serve de alerta para toda a indústria alimentícia e reforça os desafios globais relacionados à dependência de regiões vulneráveis ao clima. Para o setor agro, especialmente no Brasil — onde estados como Bahia e Pará se destacam na produção de cacau —, o cenário oferece oportunidade para expansão e fortalecimento da cadeia produtiva nacional.
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